A revista americana Deadline publicou uma matéria a respeito de Mary, Queen of Scots, onde Saoirse Ronan interpreta Mary Stuart, a rainha da Escócia, que disputa o trono da Inglaterra com Elizabeth I. Confira:

É um dado da indústria cinematográfica que haverá uma rainha em algum lugar na confusão. Ultimamente, temos visto uma inclinação para Victoria, de mente aberta e firme, como em Victoria & Abdul e The Young Victoria. Anteriormente, havia uma moda para Elizabeth, tanto a primeira quanto a segunda. Cate Blanchett interpretou Elizabeth I duas vezes: em Elizabeth e Elizabeth: A Idade de Ouro, e Helen Mirren interpretou Elizabeth II em The Queen. Entre esses e outros, vieram The Other Boleyn Girl, Marie Antoinette e o prometido retorno de Sony – Cleópatra, a Rainha do Nilo.

Empoderada, guerreira, encantadora e iluminada, a feminilidade real habita um espaço do qual as mulheres mais democráticas do cinema – Katharine Graham, de Meryl Streep, Jacqueline Kennedy, de Natalie Portman – só podem sonhar. A sala de reuniões e o salão oval são importantes, mas nada bate um trono, pelo menos quando se trata do cinema.

Portanto, a rainha deste ano parece ser Mary Stuart – Mary, Queen of Scots – para ser interpretada por Saoirse Ronan em um filme homônimo dirigido por Josie Rourke e com lançamento pela Focus Features no início de dezembro. Deve ser um sizzler. Alerta de spoiler – desculpe, isso é história – Mary é decapitada em 1587 por ordem da já mencionada Elizabeth I, aqui interpretada por Margot Robbie, que nunca faz as coisas no meio do caminho.

O filme chega com fortes credenciais femininas: Rourke é um diretor de teatro britânico estabelecido com créditos que incluem produções de Coriolanus, Much Ado About Nothing e Men Should Weep. Suas intrigas certamente serão mais profundas do que as de Lady Bird de Ronan ou Robbie, de I,Tonya. Há reinos, ou melhor, queendoms, em jogo, e o escritor é Beau Willimon, mais conhecido pelas jogadas de poder deliciosamente contorcidas em sua versão Netflix de House of Cards.

Tivemos Mary Stuart em filme em 2013, interpretada por Camille Rutherford, baseado em uma versão suíça de Mary, Queen of Scots, exibido em festivais de Los Angeles e Toronto, mas escapou das bilheterias. Essa versão de Mary aparentemente não importou muito. Um resumo na base de dados da IMDbPro a classifica como: “Uma rainha que perdeu três reinos. Uma esposa que perdeu três maridos. Uma mulher que perdeu a cabeça.

Charles Jarrott, recém-saído da história de Boleyn, Anne of the Thousand Days, dirigiu uma narrativa mais pesada em 1971. Aquela, também chamada Mary, Queen of Scots, foi criticada por Vincent Canby no The New York Times, mas recebeu cinco indicações ao Oscar, incluindo o de Melhor Atriz para Vanessa Redgrave, que interpretou Mary, contracenando com Glenda Jackson como Elizabeth. (No mesmo ano, Redgrave interpretou uma freira sexualmente reprimida que desencadeou uma caça às bruxas com falsas acusações contra Oliver Reed em The Devils de Ken Russell; mas essa parece não estar madura para um remake). Enquanto aprisionada, Maria de Redgrave, católica, desafiou a Elizabeth de Jackson, uma protestante, em um confronto corajoso e face a face que nunca realmente aconteceu, e pagou o preço.

O que a Mary de Ronan nos dirá sobre a política sexual contemporânea continua a ser visto. Mas os sinais apontam para uma rainha do cinema muito de acordo com os impulsos das mulheres atuais que acabam deixando os homens assumirem o controle. Que será um retrato simpático é quase certo: o roteiro de Willimon é baseado em uma biografia de John Guy, que foi originalmente publicada em 2004, como My Heart Is My Own: The Life of Mary, Queen of Scots. Algo de revisionista, Guy – segundo uma resenha da historiadora da Universidade do Arizona, Retha M. Warnicke – desafiou a conclusão prévia da autora Jenny Wormand de que Mary era “a pior monarca escocesa desde Robert III”. Ele rejeitou como falsificações as famosas Cartas de Casket, em que Mary foi implicada com seu terceiro marido, o conde de Bothwell, no assassinato de seu segundo marido, Lord Darnley (o primeiro foi Francisco II, rei da França).

Ao mesmo tempo, como Warnicke observa, Guysuspeita que as relações sexuais de Mary com Bothwell foram mais satisfatórias do que com Darnley, afirma que Darnley era bissexual e amante de Rizzio [Rizzio sendo uma secretária particular que dizia ser o pai de seu filho] e se refere, gratuitamente, às “pesadas carícias” de Elizabeth com Robert Dudley, conde de Leicester.

Warnicke, a historiadora, chia um pouco a sua língua com o que ela vê como erros fatuais, provas omitidas e todas as fofocas sexuais. Mas parece bom para um filme – exatamente o que precisamos da rainha deste ano.

FonteTradução e Adaptação – Equipe Saoirse Ronan Brasil

Posts relacionados: