Saoirse Ronan concedeu uma entrevista ao jornal Irish Times em 17 de Fevereiro, onde falou sobre fama, os escândalos de Hollywood, e o referendo do aborto na Irlanda. Confira:

Você não iria adivinhar que Saoirse Ronan carregou as expectativas de uma nação em seus ombros estreitos. A arte de ser Saoirse é, possivelmente, a arte de não parecer desconcentrada. Sua atuação esconde seus esforços. Ela parece flutuar atrás de performances em ondas de despretensiosa sinceridade. Sem aparecer em escândalos, fazendo barulho ou expondo opiniões agressivas, ela assegurou três nomeações ao Oscar antes de completar 24 anos. (Jennifer Lawrence é a única outra pessoa a ter conseguido esse feito)

Sua participação em Atonement lhe rendeu uma indicação a melhor atriz coadjuvante em 2008. Dois anos atrás, em um ano memorável do cinema irlandês, ela recebeu uma indicação para melhor atriz por Brooklyn. Agora, concorrendo na mesma categoria por interpretar uma adolescente com temperamento difícil no maravilhoso Lady Bird de Greta Gerwig, ela tem a sua melhor chance de levar o prêmio.

Quando a conheci, tinha acabado de me encontrar com o também indicado Daniel Kaluuya em outra festa da imprensa. Ele me pediu para dizer ‘oi’.

“Ah, eu o amo,” ela gaguejou. “Eu disse para ele outro dia: ‘Você não parece nenhum um pouco desconcentrado por isso.”

Ele não parece desconcentrado? E ela? Desde que a temporada de premiações começou no começo do outono, realizou cada aparição na mídia com uma classe genial que não se pode simplesmente fingir. Ela parecia completamente inabalável.

“Bem, você precisa fazer se é capaz,” ela diz. “Mas você também precisa ser uma pessoa segura o suficiente. E você precisa de pessoas ao seu lado para que digam: ‘Lembre-se de quem você é.’ É muito fácil de ficar envolvido nisso. De ser consumido por isso. É tudo que estamos fazendo no momento. Para mim, a coisa boa é que é minha segunda vez adequada.”

Ronan tinha 13 anos quando foi indicada por Atonement. Então ela não foi empurrada através de toda a a rigorosa manopla de prêmios.

“É, pela segunda vez e meia. Ha ha! Tendo passado por tudo isso, você sabe que quando março acabar irá avançar para a próxima coisa. Nesse estágio, parece que isso vai continuar para sempre.”

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Saoirse Ronan estampa a capa da The Wrap, a qual contém um ensaio fotográfico exclusivo para a edição especial da revista. Na entrevista concedida por Ronan, a atriz comenta sobre sua ausência das redes sociais, seu trabalho, mulheres em cargos importantes nos sets de filmagens e mais. Leia a seguir:

Esta história sobre Saoirse Ronan apareceu pela primeira vez na edição Down to the Wire da revista The Wrap Oscar.

Saoirse Ronan estava falando sobre a vida que leva atualmente entre a IrlandaLondres quando parou e balançou a cabeça. “Eu continuo me esquecendo“, ela diz com um sorriso, “Mas eu tenho apenas 23 anos, sabe?

Sim, nós sabemos, pois acompanhamos pela tela boa parte desses 23 anos. A irlandesa tornou-se a sétima atriz mais jovem ao ser indicada na categoria “Melhor Atriz Coadjuvante” por “Atonement” aos 13, e então a oitava atriz mais jovem ao ser indicada à “Melhor Atriz” por “Brooklyn” aos 21.

E agora ela possui sua terceira nomeação, a qual veio pelo seu papel em “Lady Bird“, uma história jovem-adulto escrita por Greta Gerwig, que apresenta o retrato de uma estudante de Sacramento desesperada para deixar sua cidade e viver em um lugar com mais cultura e agito.

Isso encerra a rotina inebriante e ocupada de Ronan, que foi de “Brooklyn” e sua indicação ao Oscar para atuar na Broadway em “The Crucible” e então de “Lady Bird” para seu próximo filme “On Chesil Beach“. A forma mais fácil de entender seu nome é que Saoirse pode rimar com inércia, mas é uma comparação que funciona apenas foneticamente.

Em um ano onde o foco tem se voltado para mulheres no cinema, Ronan é uma nova competidora no que pode ser o ano da campanha mais competitiva do Oscar, Melhor Atriz, onde ela sentará perto de Frances McDormand (“Three Billboards Outside Ebbing, Missouri“), Sally Hawkins (“The Shape of Water“), Margot Robbie (“I, Tonya“) e Meryl Streep (“The Post“).

Quando você fez “Brooklyn“, um filme sobre uma jovem mulher que estava dando seus primeiros passos rumo à independência, você tinha se mudado recentemente da casa de sua família na Irlanda para morar sozinha pela primeira vez.

SR: Sim.

Mas agora você trabalhou em “Lady Bird“, o que significa que você voltou no tempo e interpretou uma adolescente que ainda não tinha dado esses passos. É estranho voltar alguns anos antes no cinema? 

SR: Você pensa que vai ser estranho antes de fazer isso. “Lady Bird” foi a primeira personagem mais nova que eu, e eu pensei “Eu interpretei uma adulta há pouco, não posso dar um passo para trás com algo assim.” Porque existem tantos atores jovens, especialmente que acham difícil fazer este tipo de transição e eu não queria arruinar nenhum progresso que fiz. Mas, na verdade, você não arruina nada, significa apenas que você é capaz de saltar de um lado para o outro entre os dois. Quando eu estava fazendo “Lady Bird“, pensei em como eu já interpretei a personagem no futuro. Indiretamente, eu interpretei o que poderia acontecer com ela, e uma das maiores coisas sobre isso é que você tem um melhor entendimento do que você está passando. É interessante como você não percebe isso, mas as escolhas profissionais que você faz refletem algo que está acontecendo na sua própria vida. Naquela época, a ideia de viver e crescer era muito importante para mim – era uma coisa que estava me conduzindo e me definindo, essas coisas. E faz sentido que, durante dois anos, aquilo era no que eu estava interessada no trabalho e que eu também estava fazendo.

Você sente como se tivesse passado por essa fase agora?

SR: Sim, um pouco. Eu sinto como se estivesse saindo do outro lado agora. Eu fui a Nova York recentemente., e lembro como eu costumava ficar ansiosa quando eu saí de casa pela primeira vez e fiz coisas de adulto. Eu realmente nunca tinha feito nada sozinha antes, mesmo ir ao supermercado. Mas eu fui à Nova York e saí para tirar dinheiro do caixa eletrônico ou algo assim, e não teve nada que me preocupasse. Fiquei relaxada, e não perturbada em uma cidade grande. Eu não sei, são pequenas coisinhas que vão se tornando habituais, mas elas fazem toda a diferença. Eu definitivamente me acostumei a morar longe de casa, sabendo que esta é minha vida agora: não estar tanto na Irlanda.

Houve alguma mudança no que você queria do seu trabalho com o passar dos anos?

SR: Sim, eu acho que está sempre mudando. Como eu estava dizendo sobre como meu lar era um fascínio para mim e me influenciou no que eu queria trabalhar. Acho que isso está mudando novamente. Quanto mais velha eu ficar e mais experiências em sets de filmagens eu tiver, mais eu irei querer estar envolvida no lado criativo. Eu penso que o que preciso de um filme está mudando com base no que eu preciso dentro de mim.

Trabalhar com Greta Gerwig, uma diretora que começou atuando, mudou seu pensamento sobre dirigir algo?

SR: Sim. Tipo, eu sempre quis dirigir. Eu acho que era algo que eu sempre me precipitava antes de agir, então a atuação assumiu. Mas quando eu era criança, eu amava ir no palco das peças da escola e essas coisas, mas eu realmente, realmente amava escrever roteiros, manusear a câmera e convencer meus amigos a filmarem comigo. Eu dirigia mas não aparecia. Porém eu me dei conta disso recentemente por causa da Greta e por todo esse debate que vem surgindo sobre a mulher na indústria – Eu acho que muitas garotas provavelmente diriam isso, eu não acho que alguma vez eu tenha tido a crença real de que poderia ser uma diretora. Sempre tive isso na minha cabeça, que eu poderia, tipo, tentar dirigir, você entende o que eu quero dizer? Mas ver Greta ser uma grande produtora e uma grande líder que sabe comandar muito bem – você sabe, é o clássico “Ela conseguiu, talvez isso signifique que eu possa conseguir também.

Quando você estava crescendo na carreira, você sempre esteve em situações onde homens tinha a posição de poder?

SR: É, não. Eu trabalhei com mulheres diretoras quase no mesmo número que diretores homens. O primeiro filme que fiz foi dirigido por Amy Heckerling, e eu trabalhei com Gillian Armstrong, Nicole Beckwith e muitas outras. Digo, eu trabalhei com mais diretores homens, mas nunca diferenciei os dois. No entanto, a proporção feminina para masculina é muito balanceada no set. Existem dez homens para uma mulher nos bastidores, e isso é louco, é triste. No último ano, eu lembro que estava fazendo uma cena onde haviam dez homens no set e apenas duas mulheres, e o filme era sobre uma mulher. Eu reparo nisso, com certeza. Porém acredito que nos próximo anos nós veremos uma diferença. É muito importante ter roteiristas, diretoras e produtoras, mas também, é muito legal ver mulheres assistentes de som ou diretoras cinematográficas. Saber que “Mudbound” (Lágrimas sobre o Mississipi) teve uma mulher como diretora cinematográfica foi muito bom.

Sua personagem em “Lady Bird” sabia que ela realmente precisava ir a algum lugar, mas não tem certeza de como chegar lá ou até onde quer ir, exceto para fora da cidade. Como alguém que esteve em um caminho de carreira sendo muito mais jovem, você pode se relacionar com a luta que ela está atravessando? 

SR: Felizmente, eu nunca tive que me sentar e pensar: “Certo, o que é que eu vou fazer da minha vida?” Eu me sinto muito sortuda por saber o que eu quero desde muito jovem, trabalhar com isso e estar envolvida em grandes projetos. Mas também, depois de fazer a mesma coisa durante tanto tempo, chega uma hora que você pensa: “Este é o meu único ponto forte? Eu tenho outra coisa para oferecer?” Quando tudo se torna sobre isso, por você estar fazendo muito bem ou por você estar ocupado, enfim, isso ofusca todo o resto. Então em um certo momento eu tive consciência de que eu precisava dar um tempo da minha vida no set, porque isso pode se tornar uma atividade nada saudável, o que não te ajuda no trabalho. Eu ainda estou tendo que ser consciente a respeito de dedicar meu tempo a outras coisas, investir meu tempo nos meus relacionamentos, na minha família, meus amigos e pessoas da minha vida.

Acho que a primeira vez que nos vimos foi em 2009, depois de “The Lovely Bones” (Um olhar do paraíso). Você estava animada porque tinha criado uma conta no Twitter.

SR: Meu Deus! Eu apenas criei uma conta por causa do Stephen Fry. Ele estava tipo: “Oh, o Twitter é fantástico, é uma coisinha muito rápida!” E por ele estar usando, eu fui usar também.

Mas, atualmente, você não parece muito preocupada em ter redes sociais.

SR: Ah, não. É muito trabalhoso e estressante para mim. Eu meio que desenvolvi uma relação distante com meu celular e tecnologia nos últimos anos. Eu entendo porquê os músicos, jornalistas ou pessoas públicas fazem isso. Mas atuar é uma coisa diferente, você não está sendo você esmo enquanto trabalha. Eu não sou eu mesma em nada que as pessoas me veem fazendo, então, para mim, ter um Twitter e dizer “Oh, eu tive um dia terrível” ou “Nossa, eu estava com dor de cabeça“, eu não acho que as pessoas precisem ver isso, e se auto promover é algo desconfortável para mim. Tipo agora, meu cabelo está no meio de uma transição, nós estamos mudando-o, colorindo-o, e pensar que isso está recebendo bastante atenção me faz ficar tipo “Tem muita atenção em cima do meu cabelo! Nos temos que parar de falar a respeito dele!

Ao atuar, você ainda possui as mesmas manias de quando você começou a carreira?

SR: Eu apenas aproveito. Eu realmente aproveito o processo de tudo, de encontrar algo que trabalhe com a cena. Eu gosto de disciplina, do senso de comunidade no set, da relação que você cria com o pessoal da equipe, e isso eu sempre farei. Esta é minha casa. Os bastidores são para mim o que a escola é para as crianças. Para algumas, é um lugar seguro, faz parte da rotina; é isso que um filme me dá. Eu me sinto muito, muito calma e serena quando eu estou num set de filmagem. As luzes podem estar caindo à minha volta, as pessoas correndo e gritando enquanto nós estamos tentando salvar o dia, e eu me sinto totalmente em paz com esse caos. Acho que é porque eu estou habituada.

Sets de filmagem podem ter sido sua escola, mas isso significa que quando você interpreta parte de uma estudante em “Lady Bird“, você tem que cnvencer que passou por tudo aquilo quando na verdade não passou. 

SR: Sim. É surpreendente fácil fazer isso quando se é uma criança. Eu não sei por que, mas crianças são desinibidas na interpretação – elas acreditam totalmente que são fadas, princesas, astronautas, uma árvore ou qualquer outra coisa. Elas podem ser tudo. Crianças possuem uma fé blindada em acreditar e fazer, e acho que nós temos a habilidade de ter acesso a isso, e no nosso núcleo, todo mundo é muito similar, eu acho, então nós percebemos. Um personagem pode ter crescido numa circunstância diferente de você, ou ser de uma outra cultura ou situação social – mas em seu núcleo, o que eles querem? Querem ser amados, ou estão com medo. Normalmente são essas duas coisas, eu acho. Em seu núcleo, um ser humano é um ser humano, sabe?

Fonte Tradução e Adaptação – Saoirse Ronan Brasil

 

Em entrevista ao Los Angeles TimesSaoirse Ronan Greta Gerwig contam como foi o momento em que se conhecem e falam sobre a relação com suas mães. A matéria encontra-se traduzida abaixo:

Se você assistiu a “Lady Bird“, a história sábia e quente sobre uma jovem mulher encontrando e afirmando a si mesma, enquanto lida com seus sentimentos conflitantes em relação a uma mãe que ela nunca parece agradar, então você sabe que Greta Gerwig, roteirista e diretora do filme, tem um olhar atento para o detalhe. Quer se trate do comprimento das saias plissadas na escola católica de Lady Bird, as interpretações do teatro de Stephen Sondheim durante a audição para “Merrily We Roll Along” ou a forma como a mãe de Lady Bird (uma soberba, Laurie Metcalf) olha para a filha dormindo enquanto pendura o vestido que passou a noite costurando, há uma precisão para cada objetivo, cada palavra de diálogo, cada momento de amor e perda. O que torna a lembrança de Gerwig – quando viu Saoirse pela primeira vez – ainda mais interessante. Elas conversaram no Skype meses antes, e ambas estavam promovendo filmes no Festival Internacional de Cinema de Toronto de 2015, quando Gerwig chegou ao quarto de hotel de Ronan para uma leitura de script adequada. “Saoirse abriu a porta com uma Coca-Cola e seus chinelos“, lembra Gerwig. “Apenas uma simples Coca“, pensei: “Eu gosto dessa garota“.

Ronan também havia pedido ao serviço de quarto uma sopa de cebola francesa, porém ela nunca removeu o celofane protetor cobrindo a tigela porque, durante as próximas horas, as duas mulheres não fizeram nada além de ler o roteiro, rir, chorar, e sim , compartilhar algumas bebidas (suaves) da variedade não-diet.

Reuniram-se dois anos depois no final de uma tarde fria na varanda de um quarto de hotel (WestHollywood), cercadas pelo pôr do sol, com outros hóspedes sentados em suas próprias varandas. “Eu aposto que há muita gente bebendo neste hotel“, imagina Ronan. Gerwig responde: “Nós não… Nós estamos apenas bebendo Coca-cola.” As duas se acomodam com cobertores, juntando as mãos ao longo de uma extensa conversa sobre seu adorável filme, que foi nomeado a cinco Oscars, incluindo Melhor Imagem e Direção, e acena com a cabeça para Ronan e Metcalf.

Repórter: Eu estava apenas lendo o roteiro, e as direções de cena são tão interessantes quanto o diálogo. Como quando LadyBird conhece Kyle, as direções de cena dizem: “Ela entende todas as músicas de R & B em um segundo.” O que me faz pensar: você já experimentou esse sentimento?

Gerwig: Sim!

Ronan: Eu estava no carro recentemente e ouvi “Like a Prayer” no rádio, e eu pensei, “eu entendi agora.

Gerwig: Eu entendo agora!

Ronan: Eu entendo o que ela estava dizendo em um nível mais profundo.

Repórter: Porque você conheceu seu Kyle?

Ronan: Oh, noooooo. Eu não diria isso. Não é um Kyle.

Gerwig: Mas você conheceu alguém especial.

Ronan: [Risos] Não, não, não necessariamente isso. E, novamente, definitivamente não é um Kyle!

Gerwig: Foi eu! Fui eu! Você me conheceu.

Ronan: Sim. Eu percebi que eu me apaixonei por Greta recentemente e Madonna fazia sentido para mim.

Gerwig: [Cantando] “When you call my name, it’s like a little prayer…” Eu tive essa experiência com alguns meninos diferentes, não que fossem reciprocados. Mas de repente eu estava tipo, “Eu entendi. Eu entendi todas as músicas.

Ronan: Isso deve ter tido outra direção de cena quando Lady Bird conheceu Kyle e disse que seus “lombos estavam em chamas.

Ronan: Apenas para esclarecer – eram ambos. Nós não fazíamos apenas gestos de mão.

Gerwig: Tivemos um encontro muito divertido do Skype.

Ronan: Nós ficamos muito nervosos.

Gerwig: Tipo como estamos agora.

Ronan: Porém ainda mais. Lembro-me de sair daquela chamada do Skype e eu estava tipo: “Jesus Cristo, eu não senti isso vivo desde os 15 anos de idade.

Gerwig: Senti como se eu te conhecesse instantaneamente, não só isso, mas como se você estivesse no meu coração. É por isso que eu digo que ela pode simplesmente me olhar às vezes e dizer: “O que você está pensando?” Como eu disse, ela pode me irritar.

Ronan: Eu faço você questionar muito ao seu eu interior?

Gerwig: Não! Eu amo isso. Eu estou associando isso com um traço irlandês, como essa capacidade de dizer: “Eu vejo você.

Ronan: vem do amor, Greta. Isso vem do amor.

Repórter: Por que vocês acham que se conectaram tão instantaneamente?

Gerwig: Nós tivemos um ano antes de dar o pontapé, e ele ainda estava trabalhando em “The Crucible”. Eu acredito muito no consciente trabalhando em coisas. Não sei se o seu inconsciente funcionou nisso, mas para mim pareceu assim.

Ronan: Isso sempre esteve em minha mente.

Gerwig: Você se lembra quando eu levei Lucas [Hedges, do elenco de Lady Bird) para vê-la em “The Crucible“?Ele estava sentado ao meu lado ofegante, e eu disse: “Lucas. Você nunca viu isso? “E ele ficou tipo:  “Não. Não tenho ideia do que é essa história.”E  sua cabeça estava apenas explodindo. Ele ficou tão impressionado que acho que estava nervoso em agir com você. Por aquela jogada… você estava bem no lado de Abigail. Eu nunca tinha visto uma produção da mesma forma, onde você pensa, “Vai, garota!” 

Ronan: E então estava certo em “Lady Bird“. Tendo saído de algo tão intenso – eu estava realmente desmembrada porque era tão novo para mim, trabalhando como atriz de teatro – para entrar nos braços de Greta e estar seguro era incrível. Ela cuidava muito bem de mim.  

Gerwig: Eu me senti muito maternal com todos, mesmo com pessoas que eram mais velhas.

Ronan: Even Tracy (Letts). Não sei se devo dizer isso. No ano passado, mamãe e eu conseguimos um cachorrinho e eu contei ao Tracy. Mas estou realmente entusiasmada por conseguir esse cachorro, é realmente ótimo e ele disse: “Bem, você sabe o que eles dizem: pegue um animal de estimação, obtenha uma tragédia.” [Risos]

Repórter: Saoirse, você mora com sua mãe?

Ronan: Eu sou uma espécie de cigana. Eu tenho uma casa na minha cidade (ao sul de Dublin) em que minha mãe vive. Eu percebi recentemente que acho que por um bom tempo, talvez até ter filhos ou algo assim, sempre viveria entre a Irlanda e outro lugar. Porque o que Lady Bird está ansiando também é que você é uma pessoa no lugar onde você cresceu e então você é outra pessoa no lugar onde você se encontra. Definitivamente sinto isso em Nova York ou em Londres. Eu sou diferente lá de como estou em casa. É aí que sou capaz de ser anônima e jovem ou cometer erros, ser estúpida e tudo isso.

Gerwig: Tanto quanto uma pessoa pode amar um lugar, eu sinto que você ama a Irlanda.

Ronan: Eu sei. Estou muito orgulhoso de ser de lá.

Gerwig: Lembro-me de assistir à Saoirse, porque todos os anos eu vou vejo uma festa do Academy Awards. Também vejo festa de Tony.

Ronan: Você?

Gerwig: Eu adoro shows de prêmios! Então, eu estava assistindo Saoirse, que era tão brilhante em “Brooklyn“, andava pelo tapete vermelho e estava vestindo…

Ronan: Verde.

Gerwig: Verde! E eu lembro de gritar: Noah (Baumbach, parceiro de Gerwig)! Grave o pré-show!” E ele ficou tipo: “Oh Deus, isso vai durar para sempre.” Mas eu assisto todas as entrevistas. Você disse que usava verde pela Irlanda, que era seu charme de boa sorte e eu ficava pensando: “Ela é a melhor do mundo e está no meu filme!

Repórter: Você já esteve no Oscar?

Gerwig: Não, não! Eu só assisto pela televisão.

Ronan: Honestamente, Greta, se você for…

Gerwig: Minha cabeça vai explodir!

Ronan: Eu lembro que, da última vez, minha mãe e eu estávamos tão animadas pelo cabelo do The Weeknd – que estava do jeito que ele sempre usava -, que quase perdemos o monólogo.

Repórter: Parece que a relação com sua mãe é diferente da relação que Lady Bird têm com sua mãe.

Gerwig: Oh, a mãe dela é demais!

Ronan: Uma de nós dirá ou fará algo que irá perturbar a outra e ficaremos em silêncio por 10 minutos. E então a outra sentirá isso porque nos conhecemos tão bem e iremos dizer: “O quê?” “Bem, você fez isso e me chateou.” E você tentará se defender e isso irá continuar por um alguns minutos, depois não conversaremos por cerca de 10 minutos e depois voltaremos juntos e diremos: “Desculpe! Sinto muito!“E essa é a extensão de nossos argumentos. Conheço muitos amigos que tiveram relacionamentos fortes com suas mães, e eu acho, mais do que com seu pai, isso acontece entre você e sua mãe. Esta é a pessoa de onde você veio.

Gerwig: eu briguei com minha mãe, mas nem me lembro dos motivos. Nós brigávamos e fazíamos as pazes imediatamente. Eu tenho muitas coisas das quais eu gosto. Nós duas temos essas personalidades extremas onde, quando é bom, nunca nos lembramos quando não foi bom, e quando estamos brigando, nunca lembramos de nos dar bem. Há uma intensidade em qualquer momento em que estamos. Tem uma cena no filme onde o pai de Lady Bird, Larry, diz a ela: “Vocês duas têm personalidades tão fortes“, e minha mãe estava sentada ao meu lado no Telluride (Festival de Cinema), e ela disse: “Sim! Sim!

Ronan: E agora ela tem o filme e sabe como você se sente sobre ela. Não que ela não tenha feito isso antes. Não existe uma frase de Tennessee Williams: “Uma boa arte pode levá-lo para casa“?

Gerwig: Foi o que eu queria que este filme fizesse. A razão pela qual eu gosto de arte ou quero fazer arte é conectar as pessoas de volta a si mesmas ou a suas próprias vidas através de algo específico que você está mostrando na tela.

Ronan: É isso mesmo. Uma boa música, um livro ou um filme, é só encontrar aquilo em você que faz você se sentir em casa.

Fonte | Tradução e Adaptação – Equipe Saoirse Ronan Brasil

Em entrevista ao The New York Times, Saoirse Ronan e seu colega de cena Thimothée Chalamet compartilham suas experiências como jovens atores, campanha #MeToo no Golden Globes e mais. Você pode conferir a tradução abaixo:


Quer saber como eu o chamo?“, Perguntou Saoirse Ronan, apontando para Timothée Chalamet, que acabara de se juntar a nós na mesa e tirou o casaco dos ombros. “Pônei“, a atriz disse: “Porque ele chega e se aconchega em mim e na Greta.”

Greta” é a diretora e roteirista Greta Gerwig, tornando um trio de ouro: os três foram indicados ao Oscar deste ano. E, como se estivesse atento, o Sr. Chalamet baixou a cabeça como um filhotinho e se aconchegou gentilmente sob a mandíbula da Sra. Ronan. “É bastante desarmante“, disse ela com uma risada. “Meu lindo pônei!

A Sra. Ronan, de 23 anos, começou a atuar profissionalmente aos 7. Filha de pais irlandeses, nasceu no Bronx (Distrito de Nova York), mas foi criada na Irlanda. Seu avanço veio na adaptação cinematográfica do romance “Atonement” de Ian McEwan quando tinha 13 anos. Os críticos ficaram impressionados com a performance, e foi então que veio sua primeira indicação ao Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante, tornando-se uma das candidatas mais novas na história. Em 2015, representou uma menina irlandesa no drama “Brooklyn“, o que a rendeu uma segunda nomeação, desta vez na categoria de Melhor Atriz. Ela fez sua estréia na Broadway (2016) no ano seguinte na produção de Ivo van HoveThe Crucible” escrita por Arthur Miller.

No mês passado (fevereiro), a Sra. Ronan ganhou um Globo de Ouro e pela terceira vez foi nomeada ao Oscar, concorrendo na categoria de Melhor Atriz por “Lady Bird“, filme da Sra. Gerwig, onde Ronan desempenha uma garota incrivelmente excêntrica que estuda em uma escola católica para meninas. O filme recebeu cinco indicações ao Oscar, incluindo Melhor Filme e Melhor Direção.

O Sr. Chalamet, 22, também aparece em “Lady Bird“, como um péssimo namorado da personagem da Sra. Ronan. Mas é pelo seu personagem no filme “Call Me by Your Name” de Luca Guadagnino, sobre um romance de verão entre dois jovens que ele conquistou elogios, bem como numerosas afirmações no circuito de premiação, incluindo uma indicação ao Oscar de Melhor Ator.
Como a Sra. Ronan, o Sr. Chalamet nasceu em Nova York. Formou-se na Escola Superior de Música e Arte e Artes Performáticas Fiorello H. LaGuardia em 2013. Junto com papéis na série de televisão “Homeland” e nos filmes “Men, Women & Children” e “Interstellar“, ele estrelou em uma peça produzida por John Patrick Shanley, “Prodigal Son“, pelo qual ganhou o Prêmio Lucille Lortel de Melhor Ator.

Durante o almoço deste mês, dois dias após a cerimônia do  Golden  Globes e duas semanas antes das indicações do Oscar, no restaurante Il Cantinori em Greenwich Village (camarão scampi para a Sra. Ronan e salmão assado para o Sr. Chalamet), a dupla discutiu sobre papéis mais maduros nos filmes, a nostalgia (e as preocupações) dos jovens, a campanha #MeToo no tapete vermelho do Golden Globes e a necessidade de uma pausa.

PHILIP GALANES Filme jovem-adulto preferido. Já!

SAOIRSE RONANDirty Dancing“. Esse é um filme adulto?

PG Por que não? O bebê torna-se adulto.

SR Eu adoro o modo como as mulheres se apoiam. E “Rebel Without a Cause“. Há um romance lá, mas é mais platônico. Eu não percebi, até que “Lady Bird” surgiu, como estamos famintas por histórias femininas maduras que não giram em torno de uma menina sendo validada pelo romance.

TIMOTHÉE CHALAMET O que me apoderou foi um livro, “The Perks of Being a Wallflower“, que foi transformado em um filme mais tarde. Está escrito de uma maneira que apenas um jovem pode falar. E a perdida descarada do protagonista…

SR Exatamente. Eu os amo porque você pode ver elementos de si mesmo neles.

PG Quando eu era criança, filmes maduros – como “Pretty in Pink“, “The Breakfast Club” – normalizaram a marcha até a idade adulta. Eles tornaram isso seguro, e eu tinha uma preocupação.

SR Então somos nós. Já falamos sobre isso antes.

PG Com o que você mais se preocupa?

TC Quando você começa a atuar em coisas tão boas quanto “Lady Bird” ou “Call Me by Your Name“, você tem uma enorme responsabilidade de fazê-las com sinceridade, para que os jovens que assistem possam dizer: “Eu me vejo naquela tela!” E se eu não puder fazê-lo?

SR Toda vez que eu atuo, eu me preocupo: posso fazer isso de novo?

TC Isso sempre está na vanguarda do meu cérebro.

SR E toda vez que finalizo um trabalho, eu sinto como: “Oh Deus, eu viajei com esse.” Além disso, eu sou uma pessoa agradável, não gosto de incomodar ninguém. Mas cheguei a um ponto no meu trabalho, onde eu preciso estar firme com as decisões que fiz ou sinto-me livre para ir em outra direção – mesmo que todos ao meu redor me falem para fazer o contrário. É difícil.

PG Deixe-me perguntar sobre a atuação. Vocês têm rostos incrivelmente expressivos, transmitindo sentimentos complexos de forma não verbal. Você sabe como você faz isso? É inato ou proposital?

SR Bem, definitivamente existe uma prática. Quanto mais você faz isso, mais estará dando abertura aos sentimentos. Mas você sabe, às vezes você vê crianças pequenas na tela, e é simplesmente incrível como elas são abertas e desinibidas.

PG Estou lembrando de você – e seus olhos em “Atonement“.

SR E eu não tinha nenhuma formação ou mesmo experiência de vida nessa fase.

PG Você está melhor na 13ª, Timothée?

TC Como Armie [Hammer, co-estrela do Sr. Chalamet em “Call Me by Your Name“] diz: “Eu uso meu coração na minha manga.” Isso argumenta por falta de idéia, eu acho. Mas a maior lição para mim na escola de teatro estava falhando, uma e outra vez. No meu segundo ano, lutei com essa única cena. Eu nunca fiz certo, foi sempre uma coisa ruim.

PG Qual foi?

TC Foi de “The Graduate“.

PG Você estava interpretando Dustin Hoffman?

TC Eu estava interpretando Benjamin. Mas, tão ruim quanto eu, houve um libertação que veio com o fracasso. Deixe-me estender um pouco mais, tentar outra coisa. Isso não me fez melhorar, mas libertou minha mente.

SR Alguns atores de palco têm dificuldade quando retornam ao filme, a câmera pode paralisá-los. Mas eu adoro saber que a câmera está me observando e o que precisa ver. Esse é o momento em que a arte se desenvolve. Mas eu ainda volto a essa sensibilidade infantil quando eu atuo – estar completamente envolvida naquilo e me entregar.

TC Uma das minhas cenas favoritas em “Call Me by Your Name” é a manhã após Elio e Oliver terem feito amor pela primeira vez, e surge uma tensão estranha. Houve algum diálogo, e tentamos algumas vezes. Então tentamos sem as linhas. E funciona muito melhor dessa maneira, porque não está claro. Convida o espectador a descobrir o que os personagens estão passando.

SR A minha coisa favorita é não falar.

PG Voltando para casa depois de seu filme, eu comecei a cantarolar “Sugar Mountain“, essa velha música de Neil Young sobre um garoto que não pode mais ir ao seu clube favorito porque é apenas para adolescentes e ele tem 20 anos. Seu filme deixa um sentimento nostálgico de infância.

TC Você sabe o que é estranho? Meu momento favorito no meu filme é um com o qual não devo me relacionar: quando Michael Stuhlbarg, que interpreta meu pai, diz: “Quanto aos nossos corpos, chega um momento em que ninguém quer se aproximar deles“. O momento me quebra.

SR O que esses filmes têm em comum – mesmo essa cena – é que cada momento é tão grande para o jovem que a experimenta que não tem tempo para processá-lo corretamente antes de desaparecer. Essa é a coisa dolorosa sobre a infância. É só no final que você vai, “Oh, eu não estou pronto para que isso acabe.

PG Existem duas cenas estranhamente paralelas em seus filmes: seus personagens estão em sobrecarga emocional – Elio acabou de despedir-se de seu amante, Lady Bird perdeu sua virgindade com o personagem de Timmy – e ambos desmoronam, em carros e com suas mães.

SR Como uma pessoa jovem, a coisa adorável sobre ter cenas entre pais e filhos é que ainda há tantas vezes em que eu quero revirar e desmoronar, e você tem essa pessoa, que está a poucos passos à sua frente, lá para buscar você.

TC Ainda sou jovem o suficiente para que momentos como esse não tenham levado  esse tom doce com meus pais, eu entendo que eles aproveitaram a vida mais tarde. Eu estou num estado confuso de “Vocês ainda são os orientadores, certo?

SR Eu fico nostálgica quando me lembro de ser muito jovem, como ter 7 ou 8 anos, quando eu ainda estava no campo, quando você ia à escola e tinha seus poucos amigos. Sinto falta da simplicidade disso.

PG Você está dizendo que o tapete vermelho não é como uma vila na Irlanda?

SR Eu não sei como foi para você, Timmy, atravessando  as cerimônias de premiação pela primeira vez. Quando eu fiz isso com “Brooklyn“, foi maravilhoso, mas também bastante irresistível. E como o que eu estava falando antes, ele se move antes que você tenha tempo de entendê-lo. Desta vez, é mais relaxante, talvez porque estamos fazendo isso juntos.

TC Para mim, apenas é sensacional estar nesses lugares com essas pessoas.

PG O #MeToo está adicionando uma camada de complexidade? Os tapetes vermelhos parecem intimidantes o suficiente sem ter que dizer algo inteligente sobre a política sexual.

SR Tem sido o tema quente deste ano, com certeza. E no Golden Globes na outra noite, havia mais senso de propósito do que eu já experimentei em um show de prêmios.

PG Como crianças em cenários de filmes, você teve uma idéia da desigualdade que as mulheres enfrentavam?

SR Eu sempre fui sincera, então me senti ouvida. Mas essas conversas me fizeram olhar  minhas experiências, profissional e pessoalmente, desde que eu era jovem. Penso que as perspectivas dos homens e das mulheres sobre as mulheres estão distorcidas.

PG Como assim?

SR Bem, não é realmente um campo de jogo igual. Com Greta, observando-a falar sobre suas experiências como diretora, me fez pensar: “Eu gostaria de tentar fazer isso, gostaria de dirigir um pequeno filme em algum momento.” Eu vou ser uma atriz que dirige ao mesmo. “Mas por que eu não acredito que posso ser uma grande diretora?” Muitas mulheres pensam que um trabalho como diretor, que é tão autoritário, é aquele em que uma mulher só pode ter sucesso. Foi só ver Greta dirigindo o filme que minha perspectiva m sobre o que eu poderia conseguir mudou. E sempre pensei em mim como uma pessoa confiante.

TC Eu atuaria em um filme que você dirigiu em três segundos.

SR E eu adoraria dirigi-lo. Mas tem sido um verdadeiro abridor de olhos.

TC Me sinto muito sortudo por ter uma irmã mais velha que sempre apontou a dinâmica do que é quando uma mulher compartilha suas idéias, como elas são recebidas em comparação com as idéias masculinas. E sendo jovem, espero que venha a agir por anos, mudando a nossa responsabilidade agora – e nossa boa sorte.

SR Você sabe, eu estava pensando: pode demorar um pouco para ver como a dinâmica no set não era justa. Mas eu sempre soube, desde os 12 anos de idade, que me foram feitas perguntas diferentes do que as que fizeram para os homens: “Qual é a celebridade pela qual você tem uma queda?” “Você está colocando todos os vestidos?” Tudo sobre a imagem e romance. Isso sempre me enfureceu.

PGCall Me by Your Name” foi lançado um mês depois do escândalo de Kevin Spacey. As pessoas queixaram-se de que Armie era muito velho para ser seu coadjuvante, que parecia permeável. Você se preocupou com isso?

TC Absolutamente não. A arte tem lugar na cabeça do membro do público. Então, a reação de alguém é justa – desde que tenham visto a arte. E ainda tenho de falar com alguém que viu o filme como algo diferente de uma história consensual, cheia de amor.

SR E você observa os personagens aprenderem uns com os outros. Você vê que o personagem de Timmy está ficando tão fora disso quanto o de Armie.

PG O #MeToo exerce pressão sobre você para pensar nos projetos que você assume, os diretores com quem você trabalha?

SR Precisa haver essa compreensão. Tive sorte. Eu só queria tocar personagens inteligentes e bem envolvidos, e eu os consegui. Nada está mudando para mim. E quando se trata de cineastas, você atravessa essa ponte quando chega a eles.

PG Timmy cruzou a ponte. Você lutou com sua decisão de trabalhar com Woody Allen?

SR Você já fez um filme com o Woody?

TC É parte de nossos empregos agora, como atores, para estar mais conscientes das escolhas que estamos fazendo. E vai ser importante para mim falar sobre trabalhar com Woody. Mas “Call Me by Your Name” é o meu primeiro grande filme. E eu não vou deixar nada passar na minha celebração disso. [Como prometido, o Sr. Chalamet divulgou uma declaração anunciando que ele está doando seu salário do filme do Sr. Allen para instituições de caridade.]

PG Vocês vêm de famílias de showbiz: o pai de Saoirse é ator; a mãe de Timothée era uma dançarina. Eles se preocuparam com vocês trabalhando desde crianças?

SR Se você lidar com isso, há uma maneira de manter a inocência. Eu sei que há porque meus pais me deram. Eu brincava como uma criança quando estava em casa, então eles me levaram para fazer trabalhos – onde eles me protegiam no set, mas também me deixavam sentir o trabalho completamente. Então voltava a ser uma criança novamente em casa.

TC Eu amo o fato de que minha mãe vai ler isso! Muitas crianças querem seguir com a atuação e são impedidas pelos seus pais, mas os meus sempre disseram: “Se isso é algo que você quer, nós o apoiaremos plenamente“. E eles fizeram, mas depois que eu fiz “Homeland” e “Interstellar“, eu estava ansioso para seguir com minha carreira, porém a minha mãe, que sempre foi tão encorajadora, disse: “Não, vá para a escola, tenha uma segunda opção.” E eu pensei: “Ah, não, o que eu faço agora?

PG É estranho que você tenha começado suas carreiras em uma idade tão jovem?

TC Não, mas isso não tem nada a ver com o que estou fazendo na minha carreira e com tudo a ver com os seres humanos maravilhosos dos meus pais. A única parte estranha é quando você tem 16 ou 17 anos e seu trabalho dispara as leis da selva: você precisa ter um acompanhante no set com você, como deveria, mas é uma dinâmica estranha, tendo seus pais sentados enquanto trabalha.

SR É verdade, mesmo que você esteja ganhando dinheiro – independentemente do quanto seja – quando você é filho.

PG Eu ainda implorava meus pais por dinheiro quando tinha a idade de vocês.

TC Eu ainda faço isso.

SR Ele adiciona um elemento diferente ao relacionamento, não há como fugir disso. Mas se todos são altruístas – e tive sorte – você pode fazê-lo.

PG Quando eu estava na faculdade, Jodie Foster era uma colega de classe. Ela estava lá para recarregar a energia de uma infância cheia de atuação. Você precisarão disso em breve?

SR Eu falei com Jodie sobre isso. Nós duas tivemos sorte de interpretar personagens interessantes desde uma idade muito jovem. Pode parecer irônico, mas por causa do sucesso de “Lady Bird“, senti como se eu pudesse fazer uma pausa – o que eu fiz, no ano passado, por seis meses. Depois de “Brooklyn“, “The Crucible“, “Lady Bird” e [seu próximo filme] “On Chesil Beach“, eu estava exausta. Não tinha mais nada. Era importante para mim dar um passo para trás e dizer: “Não há mais trabalho.” Fui viajar, e foi o melhor que eu poderia ter feito. Estamos compartilhando muito de nós mesmos em nosso trabalho e é importante nos reinventarmos, explorar outras partes de nossas vidas.

TC No momento, sinto que quero pular nessa coisa mais intensa, trabalhista; isso me agrada. Não sei o que aconteceria se eu esperasse seis meses. É como o que estávamos falando sobre o fracasso criando liberdade. Depois de toda essa recepção positiva, sinto que preciso voltar a falhar novamente.

SR Mas isso é ótimo. Você se escutou, você sabe o que deseja. E quando isso muda, você também estará aberto a isso.

PG Última pergunta…

TC Tenho a sensação de que sei qual será.

SR O que?

TC Algo sobre sexo com pêssegos ou nossa cena sexual em “Lady Bird.

PG Errado! Quando eles estão abaixo, estamos no alto. Esta é a minha pergunta: Elio teria 51 anos hoje, e Lady Bird teria 33 anos. Como você imagina suas vidas agora?

TC Bem, estou um pouco restrito porque há um capítulo no final do romance que sugere isso, mas acho que ele está aberto consigo mesmo. Sua sexualidade não era algo com o qual ele tinha que lutar tão forte quanto Oliver.

SR E eu apenas penso automaticamente que Lady Bird está vivendo a vida de Greta. Ela é uma escritora bem sucedida; ela encontrou um grande homem. E espero que ela tenha um bom relacionamento com sua família em casa. Você sabe, morando em Nova York, mas indo para casa em Sacramento para o Natal.

Fonte | Tradução e Adaptação – Equipe Saoirse Ronan Brasil